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Boas desculpas
Estava o casal de apaixonados em um momento quente de sua relação. Meia luz, suor e tudo mais que o momento de máxima intimidade pedia. Eis que ela agarra o rosto dele com as duas mãos, fixa-se nos olhos e diz:
- Você me ama?
- Baby, vamo lá...
- Você me ama?
Ele finge que não ouve e tenta voltar de onde tinham parado.
- Você me AMA????
Ele resolve que é hora de abandonar o leito de prazer, já que não consegue mais olhar no rosto da parceira. Levanta-se e nesse exato momento, como que por vontade divina, seu celular toca.
- Alô?!
- Oi, viado! E aí seu puto, aqui é o Paulinho!
- Oi TIA!!!!!! Tudo bem?
- Tia é o caramba! É o Paulinho!
- Sei tia... entendo... ahan... Então você está vindo?
- Você está bêbado??? Já sei não pode falar, né?!
- Isso tia, então eu fico te esperando. Tchau! Beijos!
Vira-se para a moça e diz:
- Minha tia está vindo me pegar, precisa da minha ajuda. Você sabe, ela está velhinha, precisa de um homem às vezes em casa para alguns reparos domésticos.
- Ah, tá... então vocês me dão uma carona?
Depois de tal episódio, ele, envergonhado e , ao mesmo tempo, querendo livrar-se da obrigadação de "estar amando", queria ver-se livre da menina a todo custo.
- Ah... não dá.. é mia tia...
- Tudo bem, afinal é só uma carona e minha casa é caminho.
- Sabe o que é...
- Não...
Ele fecha a calça, veste a camisa rapidamente, vai até a porta, abre e já quase do lado de fora do quarto diz:
- É que ela veio de moto!
Sai e fecha a porta.

Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h24
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Pérolas
Praticamente formadas, desenvolvendo um projeto sério e denso. Estávamos completamente submersas no universo do nosso TCC. Semana tomada por obrigações acadêmicas. Sábados dedicados a entrevistas. Reuniões dominicais sagradas.
Tanta convivência, tanto aprumo intelectual só podiam resultar em um trabalho primoroso e em um monte de besteiras proferidas no meio de discussões acaloradas. Tão jornalistas que somos, tivemos a pachorra de anotar.
- Nessa imagem vemos até o RG do piolho do entrevistado. (o cúmulo da hipérbole)
- Eu não quero um documentário do tipo "as andorinhas na savana". (voz grave, como de narrador do Discovery Chanel)
- A ovelha é um ácaro gigante (ganha um doce quem acertar quem disse essa)
- Eu sou uma pessoa muito legal (frase repetida mil vezes e em tom sério, tentando nos convencer)
- Ela é italiana da Itália (veja você que coisa estranha essa coisa de ser italiana da Itália)
- A recapeação das ruas (isso dá manchete de primeira página)
- O documentário precisa ter dinanismo (é um dinamismo pequeninho)
- A astética (ainda não descobrirmos se ela queria dizer estética ou algo sobre os astecas)
- Igual ao peito e a bunda da Galisteu (não se sabe porque, isso foi repetido várias vezes)
- Meu eu pessoal acha que ... (era algo muito íntimo)
- Gioconda??? Gente, pára, é a Monalisa!!! (esse é um caso raro em que se recomenda a leitura do Código Da Vinci. Mas atenção: com fotos!)
- Eu estava pensando muito em micro (microondas? microcomputador? microcosmo? micróbio)
- A profissionalidade do trabalho (mais uma para manchete)
Cena: assistíamos a um documentário. - Nossa, que menina magra! - É um documentário sobre anorexia, Fulana, lembra? (precisa de comentário? Não, né?)
- Não gosto dela, ela não tem posses (realmente, esse é um fator determinante)
- Dois homens falaram para mim que sou forte e definida. Eu acho que é verdade. (frase dita seriamente, mais uma vez, tentando nos convencer)
- Aquele é só um sítio de veraneio - Veraneio? Quem nesse mundo fala veraneio? - Posso ter um vocabulário tenso? (pode, claro que pode)
- Olha a pose da Fulana. Pose de azeitona. (se alguém conseguir me explicar o que é uma pose de azeitona eu caso)
- Olha o tamanho dos olhos desse menino. Ele está crescendo em volta dos olhos!
- Um mês não! 30 dias! (gente, podia ser fevereiro, não implica, vai)
- Acho que o melhor presente de casamento é um garfeiro (o problema vai ser dar o colhereiro e o faqueiro depois, fica muito caro)

Almoço da Dae de Domingo - Tati, Sarah, eu, Yohana e Lais
Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h42
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Sabedoria divina
Então o Papa resolve falar daquilo que ele sabe: casamento. Furor uterino dos católicos conservadores, execração dos moderninhos.
Eis que Rubem Alves, na Folha de hoje, escreve uma coluna que merece palmas. Quem for assinante da Uol ou do Jornal leia aqui. Quem não, fique com o trechinho abaixo como petisco.
'Está certo. O casamento não pertence à ordem abençoada do paraíso. No paraíso não havia casamento. Na Bíblia não há indicação de que as relações amorosas entre Adão e Eva tenham sido precedidas pelo cerimonial a que hoje se dá o nome de casamento: o Criador, celebrante, Adão e Eva nus, de pé, diante de uma assembléia de animais, tudo terminando com as palavras sacramentais: "E eu, Jeová, vos declaro marido e mulher. Aquilo que eu ajuntei os homens não podem separar..."'
Escrito por Jéssica Panazzolo às 15h59
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Da série
Ambas testemunhadas por mim. Não precisa dizer nada, certo? Só quero acrescentar que se eu fosse devolver o carrinho e encontrasse um automóvel na vaga, muito sem querer, muito casualmente, deixaria o carrinho raspar na lateral e arrancar a pintura. Tudo muito sem notar, claro.


Escrito por Jéssica Panazzolo às 10h56
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Presença de espírito
Chefe vai à mesa da estagiária para dar as broncas diárias. Cansada de perturbar somente uma pessoa, vira para o outro funcionário e solta:
- E o senhor, senhor Fulano, também tem cometido uns erros bem bobinhos, coisas que eu falo sempre e você repete sempre!
- Desculpe, chefe, prestarei mais atenção...
- É bom, porque parece que vocês gostam que eu venha aqui puxar a orelha de vocês pessoalmente... Você gosta da minha presença, Fulano?
- Eu não ia falar nada, chefe, mas você usa o mesmo perfume que a menina com quem eu estou saindo...
A chefe piscou fundo, travou a boca e saiu segurando a risada. Assim que sumiu por entre as mesas, o departamento caiu na gargalhada.
Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h25
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Cidadania
Fila na porta da balada. Alguns animados tomam suas pingas em vis copos de plástico enquanto aguardam para se jogarem na pista. Eis que uma moça, muito placidamente, arrema seu copinho no canteiro de uma árvore e segue inocente.
Indignada, Rosana ergue as mangas, pega o copo e se dirige à porquinha.
- Você mora nessa cidade? Passeia por aqui? Se diverte por aqui? 
- Hein?
- Pois eu sim! Essa cidade é minha. Custava ter jogado esse copo no lixo? 
- Mas não tem lixo aqui na fila e eles não deixam entrar com copo...
- Duvido que alguém fosse te barrar com um copo VAZIO! E não tem lixo? Vá até ele. Hoje, eu vou jogar o lixo para VOCÊ ali do outro lado da rua. Amanhã, você joga o seu próprio lixo, ok?!
- 
Escrito por Jéssica Panazzolo às 13h48
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Vexame
Operários do Pan fazem greve por água potável e comida.
E ainda querem trazer a copa do mundo para cá. Promete ser um sucesso regado a muito profissionalismo e planejamento, duas coisas que estão no DNA dos brasileiros.
Que vexame.
Escrito por Jéssica Panazzolo às 14h52
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She's a maniac
Para quem não sabe, sempre tive asco ao ambiente de academias de ginástica. O culto ao corpo e ao suor sempre me fizeram passar mal. Para mim, cada um cultuava aquilo que tem de melhor, por isso eu lia livros.
Mas esse pensamento binário foi se diluindo com a idade. A maturidade (leia-se quilos a mais) nos faz ver as coisas menos branco e preto. Enfim, num rompante de Paulo Cintura, fiz minha matrícula em uma academia perto de casa e corri para uma loja de artigos esportivos para não fazer feio no figurino.
Etapa 1 - Vestuário
Parece que quem treina (corte malhar e fazer ginástica do seu vocabulário, não seja brega) adora cores. Meu pedido era simples: calça preta, top preto e camiseta preta. "Tudo preto não tem, só o top e a camiseta", disse minha adorada atendente. "Pois bem, me veja uma calça com um pequeno detalhe colorido então", tentei. Quando vi a pilha de coisas se aproximando pensei estar nos anos 70 ou em alguma festa psicodélica. Tinha até calça com pequenos zíperes ou inteira camuflada.
Clamando por algo discreto, saí de lá com algumas peças coloridas, mas que não agridem aos olhos e algumas pretas para não parecer um mostruário da Suvinil na Academia.
Etapa 2- Avaliação Física
Devidamente trajada, lá fui eu para a avaliação física. O avaliador devia ter mais de 1,90m de altura. O fato de eu mal conseguir fazer as flexões não foi problema, mas sim resmungar na hora do adipômetro e passar pela tortura das medidas.
- Você sabe quanto você tem de busto?, fala com a fita metríca nas mãos, já marcando a medida correta e olhando BEM para mim.
- Não... Não decoro essas medidas nunca... hehe
- Hmmm...
- Esse é o adipômetro. Vai apertar um pouco. Se você não suportar a dor avise.
- Ok.
- Está doendo?
- Não, com os olhos marejados e a voz embargada.
Resultado final: não morro tão cedo. "Jura que você é sedentária? Olha, sua genética é muito boa, porque você tá muito bem", disse o sarado depois de ter feito mil observações sobre a minha coluna, meu jeito de andar e a forma como eu posiciono os pés. Que sorte a minha, não?!
Etapa 3 - Primeira aula
Com um figurino ainda mais lindo, fui para a minha primeira aula. Corri na esteira e fiz alongamento. Estava pronta para o primeiro aparelho. O professor olhou minha ficha e disse "Você não gosta muito de musculação, né? Sua série tá bem levinha...". Enfim, podemos puxar ferro ou não? Não me perguntem porque eu não sei o nome do tal aparelho, mas eu sentava e puxava uma barra atrás da minha nuca. Quantos quilos? Ele tentou 15, não deu certo. Fiquei nos 10 e com um sorriso sarcástico "Bem que seu pai me disse que você é delicadinha". Thanks Daddy, é por isso que eu te amo, minha fama me precede.
Eu achava que o pior que poderia acontecer era só levantar 10 quilos em um aparelho. Ledo engano. Em um deles eu não consegui levantar nada. Nadica de nada. Nem tirei a barra do lugar, não conseguia nem rezando o Credo em voz alta. Lá fui eu para um aparelho similar que deve ter sido feito somente para fracotes. Sem levar em cosideração que em um exercício tive que usar o cotonete, o menor dos pesos.
A parte boa foi poder passar álcool em todos os aparelhos antes de usar. Não tive que encostar nos restos de suor de nenhum macho marombado. A Academia tem paninhos e borrifadores de álcool em todos os lugares. Coisa de primeiro mundo.
Assim foi até o final. Sempre melhor nos exercício de pernas e pior nos de braço, sempre com muita assepsia. "Típico de mulher", segundo eles. Mas entre mortos e feridos salvaram-se todos. Os professores são queridos, atenciosos e muito técnicos. Os alunos... Bem, esses são engraçados. Tem as gordinhas desesperadas para sair de lá e devorar um bolo de chocolate, tem as saradas que parecem o Swazeneger, tem os bombados apaixonados pelo espelho e a galera normal, que está lá numa boa, sem ser por obrigação e nem para se adorar.
Voltei no dia seguinte, no mesmo horário e com mais ânimo. Parece que a coisa é legal mesmo apesar de cansativa. Com o passar do tempo vai dando satisfação em ter suado e em estar com os músculos queimando. Mas nenhuma estafa me faz deixar de ler um bom livro assim que coloco os pés em casa. Pura compensação.

Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h45
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