Mordida na Maçã


Rá Tim Bum

Aniversário de um dos funcionários mais queridos da editora. Os mais chegados descem para cozinha, se amotinam em volta do bolo para fazer uma surpresa para ele. "Xiiiiiiu, ele vem chegando", diz alguém.

Quando ele percebe já está envolto por carinhosas palmas ao som do famoso "Parabéns".

- E para o Jailton nada! Tudoooo. Então como é que é? É pique! É pique! É pique! É pique! É pique! É hora! É hora! É hora! É hora! É hora!

Como é sabido a música vai perdendo adesões com o decorrer da letra. Alguns gatos pingados cantam "Rá Tim Bum! Jailton! Jailton". Menos uma pessoa que, enlouquecida pela música, berra os seguintes versos.

- É pique! É pique! É pique! É pique! É pique! É hora! É hora! É hora! É hora! É hora!
JA-IL-TON!!!!! Jailton! Jailton!

A cozinha cai no riso. Não só pela animação sem tamanho mas pela adaptação do texto. O que vale é inovar.



Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h27
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Lêndias da paixão

O momento era de flerte. Ele, dermatologista recém formado, já tinha um garboso consultório. Ela, estudante de dermatologia, fazia residência em um hospital infantil.

Se conheceram pelos corredores da faculdade quando ele visitava um professor. Os olhares se fixaram e não se desgrudaram mais. Eram tímidos e só se viam ali. Ela começou a notar que ele frequentava demais o campus para um ex-aluno e ele começou a perceber que ela ficava muito no corredor para uma aluna.

Trocaram algumas palavras. Ele encatado pelo sorriso, pela pele, pelos cabelos negros da moça. Ela fascinada com seu ar de conhecimento, bom humor e pela beleza clássica.

Ele não conseguia mais administrar aquelas visitas fora de hora à faculdade e não tinha sobrinhos para levar ao hospital infantil, por isso, resolveu chamá-la, enfim, para sair. Com as bochechas rosadas, ela aceitou. Marcaram para a noite seguinte, num barzinho descolado da cidade.

Ela teve um longo dia de trabalho no hospital, nunca atendera tantas crianças na vida. Pegava uma no colo, largava a outra, curava um choro durante um exame e assim foi o dia todo. Correu para casa, banhou-se, colocou seu vestido coringa e foi.

Quando ela chegou, ele já estava à mesa. Levantou-se, puxou uma cadeira para a moça e sentaram-se. A conversa fluía como se conhecessem há anos. Eis que as mãos se deixaram tocar sobre a mesa. Clímax. Ele resolve apronfundar o assunto:

- Posso te dizer uma coisa?

- Claro, responde ansiosa.

- Seu cabelo...

- Sim....

- Ééééé.. bemmmm...

- Diga!

- Bom, desculpe, mas é pelo seu bem. Tem uma lêndia no seu cabelo...

- O quê???

- Desculpe, mas é perigoso... Você sabe... Ai, meu Deus...

-

Saíram do bar e foram a uma farmácia comprar um remédio anti-piolhos. Para efeito de registro, estão casados há 10 anos.



Escrito por Jéssica Panazzolo às 12h17
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As peorzinhas

Elas estudavam no melhor colégio de São Bernardo do Campo, cidade vizinha à São Paulo. Elite rica em busca da boa educação e dos importantes contatos sociais.

Formavam um grupinho de quatro pré adolescentes patricinhas que queriam subverter a ordem e os bons costumes. Queriam ser diferentes, queriam quebrar o estigma das meninas mimadas e certinhas.

Decidiram ser malandras. Na época, a malandragem era andar de skate. Arrumaram uns shapes, passaram a se vestir com calça larga, camisetão, camisa xadrez e boné virado para trás. Pareciam mini moleques de rua com boa cutis. O objetivo estava alcançado.

Mas de nada vale a figura sem a atitude. O que fazer? "Vamos virar pichadoras", alguém exclamou. Agora sim, pose e atitude de legítimas mini malandras.

Pichar é mais que rabiscar uma parede com um spray. É preciso ter identidade. Sabendo disso, as quatro resolveram fundar uma gangue. Que nome dar? Que letra usar? Eram muitas questões cruciais envolvidas.

Não queriam nada fofo, nada de menininha mimada. Nada melhor que "As Peorzinhas" para mostrar o quanto eram das ruas, porque malandros de verdade querem que o português se exploda. Poderiam, inclusive, como as outras gangues malvadas faziam, abreviar o nome para P.O.Z. e para arrematar assinariam com o símbolo do espelho, para representar o quão femininas eram.

Tudo mais que perfeito. Foram até uma loja de tintas e compraram um spray preto. Fizeram pose na frente do balcão e  pagaram com dinheiro amassado. Nada mais malandro.

Com a lata nas mãos, após o término da aula, resolveram barbarizar. Foram pichar atrás da escola uma muretinha branquinha. Lá estavam elas. As quatro e a lata bem de frente à mureta. Rapidamente, uma corajosa apertou o bico do spray e marcaram o muro com o logo das Peorzinhas.

Contemplaram a obra por alguns segundos. Eis que uma delas, de rabo de olho, percebeu que alguém descia a rua. Ela gritou e todas saíram correndo, suando frio e assustadas. Nem percebem que é um velhinho de bengala, cego e raquítico, que descia a alameda.

O susto foi tanto que aposentaram a lata, as roupas e o nome da gangue. Essa coisa de ser malandro não fazia bem para o coração das ricas meninas e as Peorzinhas teve uma carreira curta.

Recentemente, esses momentos foram lembrados em uma parede, como mostra o registro abaixo, por uma das integrantes, que só pichou a parede porque a dona da casa consentiu. Vocês vão concordar que o figurino melhorou muito.



Escrito por Jéssica Panazzolo às 15h33
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Roubar doce de criança

Carmem queria comemorar em grande estilo o aniversário de dois anos de sua filha. Quem conhece Carmem sabe como ela é afeita à boa educação e ao refinamento. Logo, sem querer dar vexame, ela escolhe o cardápio da melhor doçaria da cidade. Tudo de altíssimo nível e muito bom gosto.

Chega o dia da festa. Ela, a filha e o marido estão trajados com glamour e elegância. Os convidados começam a chegar. Como é de bom tom, os presentes são abertos assim que são entregues à feliz aniversariante, que agradece e leva os amiguinhos para dentro da festa.

A uma certa altura, a avó de Carmem a chama de canto.

- Filha, as crianças gostaram tanto dos docinhos que você comprou que estão colocando nos bolsos, colocando no chapeuzinho e levando para casa. Essa mesa não chega até o parabéns.

Quando Carmem se vira para o salão, percebe um enxame de crianças em torno da mesa, todas ávidas disputando cada camafeu. Ela tenta se conter. Mas quem conhece Carmem sabe que conter sentimentos de ira não está entre suas especialidades.

Ela parte, batendo os pés e balançando os braços em direção a um menino de 4 anos. Olha bem dentro dos olhos dele e se curva.

- Por que você está com esses doces no chapeuzinho?

- Porque eu vou levar para minha mãe!

- Não vai não!

- Vou sim, ela mandou levar se eu gostasse porque assim ela experimenta também.

- Nem pensar! Sua mãe foi convidada?

- Não... Só eu porque eu sou criança.

- Então se ela não foi convidada deveria ter dito a você que é falta de educação roubar comida da festa dos outros. Pode passar esse chapeuzinho para cá!

- Nãoooooo!

- Passa sim!!

E toma-lhe o tesouro das mãos. Assim foi feito com cada um dos pequenos ladrões. Cantou-se o parabéns e todos se foram, sem levar pratinhos, somente as lembrancinhas.

Nos outros aniversários da menina, poucas crianças convidadas compareceram. Com o passar do tempo, ela desistiu de comemorar aniversários e sempre que vai a festinhas nunca leva um brigadeiro sequer para comer depois.



Escrito por Jéssica Panazzolo às 16h54
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Gafes que você não queria cometer - versão rock'n'roll

Duas amigas no show do Velvet Revolver travam o diálogo a seguir em meio à multidão.

- Beeee, estou vendo o Slash muito bem!

- Slash?

- Sim.. o guitarrista...

- Eu sei, mas ele veio?

- Pô se veio!

- Mas onde ele está?

- Está no show!!!!

- No show? Ele é da banda???

-

- Ah, é ele ali no telão, né?!

- É!!! E está tocando a sua famosa Les Paul!!!

- O quê?

- A guitarra... Les Paul.

- É melhor que a Gibson?

- Não, é um modelo da Gibson.

- Como assim?

- Tipo a Fiat e o Pálio. O Pálio é um modelo da Fiat.

- Ahhhhhhhhhh

- Deus, me faça lembrar desse diálogo amanhã.

(muitas risadas)

- O que falávamos mesmo?



Escrito por Jéssica Panazzolo às 15h15
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Tiozinhos do rock

Quinta-feira mágica com show do Aerosmith e abertura do Velvet Revolver.

Companhias da melhor qualidade, reunião de pessoas tipo "A", som de deixar qualquer um estasiado. Não podia ser mais perfeito.

O Velvet esquece que estáabrindo o show de uma das maiores bandas do mundo e faz seu som com qualidade, levantando o povo que urrava a cada solo de Slash. Dominaram o palco e o público. O ápice? Fall to Pieces e It´s So Easy.

E depois do silêncio desesperador em um estádio com umas 60 mil pessoas, eles entram com os acorde de Love in an Elevator. Gritaria geral. Braços para cima e surge mister Steven Tyler no palco. Seu bocão domina o telão e ele incendeia a massa aglomerada, insana por um grito agudo.

O set list continua de primeira com Toys in the Attic e Dude Look Like a Lady. O cúmulo do êxtase? Cryin', Dream on e What it Takes, com o povo cantando junto e com Steven se contorcendo no palco.Mas vale menção para Janie's Got a Gun, Living on the Edge e Jaded tão esperadas.

O som poderia estar mais alto? Sim. Mas ninguém ali pensava isso naquele momento. Todos queriam os refrões consagrados e o riffs clássicos. Joe Perry mostrou a que veio. Fazia o povo vibrar em seus solos, com seus vocais e com suas performances, com direito até a chicotear a guitarra com a camisa e a cantar, claro, no mesmo microfone que Tyler.

Acabou? Não, eles voltam para um bis murcho. Queríamos mais. Queríamos ter visto Crazy, Amazing, Deuces are Wild, Sunshine, Hole in My Soul, Ain't that a Bitch, Eat the Rich e Full Circle. Passaríamos a madrugada alí ouvindo todos os sucessos. Mas eles não toparam. Ok, a gente se contenta.


UOL

PS - Em negrito os vídeos e mais alguns no You Tube. Obra de J. Gross, câmera profissional.



Escrito por Jéssica Panazzolo às 11h21
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Aurélio

Meninas conversavam à mesa sobre as cachorradas dos homens. Falavam sobre traição e começaram a se revoltar com a recorrência dessa falta de moral.

- Essa gente merece empalamento!

- ...

- Você sabe o que é empalamento?

- Claro, é aquele bichinho (faz gesto de boquinha com a mão, abrindo e fechando)

- Não, não é isso...

- Eu quis dizer aqueles bichos mortos que ficam assim (faz pose de estátua)

- Isso é empalhamento.

- Ah....



Escrito por Jéssica Panazzolo às 10h11
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Sinceridade infantil

Para quem se lembra de escola, época de Páscoa, dia dos professores ou qualquer data que possam envolver presentes sempre se mostram inópitas para a popularidade da criançada. O bacana é dar presente para os professores, quem não dá fica de fora dos protegidos e é chamado de babaca e pobre pelos amiguinhos.

E também, o que custa dar um chocolatinho para a coitada da "tia" que aguenta 30 anjos gritões e chorões o dia todo enquanto a mãe pragueja por ter que ficar três horas com o rebento?

São momento mágicos que geram situações mágicas e memoráveis para as queridas professoras.

- Oi Juninho!

- Oi professora!!! Eu trouxe esse ovo aqui para senhora, mas está quebrado...

- Que bonito de sua parte Juninho!

- A senhora não se importa?

- Imagina! Estou muito feliz por você ter lembrado

- Que bom!! Minha mãe comprou esse porque era mais barato, professora!

Sai cantarolando " De olhos bem vermelhos, de pêlo branquinho"



Escrito por Jéssica Panazzolo às 17h06
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Barriguinha

Gabriela ia com seus pais a um chá de bebê. Estava animadísima com a idéia de comemorar a vinda de uma nova criancinha para a família.

- Papai, a gente vai poder abraçar muito a tia Helena?

- Vai, lindinha.

- E eu vou poder dar um beijo na Yasmim?

- Não, filha. A Yasmim ainda está na barriga da tia Helena.

A menina calou-se. Foi o caminho todo pensando em como a nenê poderia estar na barriga de alguém.

Chegando ao local da festa, Gabriela correu na frente para cumprimentar a tia Helena. Eis que repara naquele enorme barrigão de uma grávida de oito meses, pára por alguns instantes e volta correndo para o colo do pai.

- Papai!!!!!!!! A tia Helena almoçou a Yasmim!!!!



Escrito por Jéssica Panazzolo às 08h37
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