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Veio a pé ou veio de trem?
Viajar é conhecer coisas lindas, monumentos históricos, tradições e hábitos do local escolhido. Mas além do turismo clássico, viajar é uma oportunidade de comparar onde moramos com o que o resto do mundo tem a nos oferecer.
O que mais me impressionou entre Paris e as cidades da Itália que visitei foi o transporte público. Pode-se ir sem carro para qualquer lugar. É oferecida ao turista e, especialmente, ao nativo uma rede gigante e cheia de possibilidades para que o automóvel fique em casa e para que se possa viajar entre as cidades sem ter que pensar em passar por um aeroporto.
Andamos de metrô por toda Paris. Para não dizer que não usamos táxi, usamos um dia que saímos de um restaurante depois da uma da manhã. Na Itália, metrô e ônibus para todo lado, além dos trêns com horários precisos entre as cidades.
Trechos como Roma - Firenze, saíram por 33 euros para duas pessoas, sempre, claro, comprando o mais "buon mercato". Para pagar mais barato, íamos nos trêns comuns, segunda classe, fazendo várias paradas. Em três horas, estávamos no destino. E não pense que a segunda classe é um chiqueiro. Vai-se sentado, num lugar tranquilo, vendo a paisagem.
Seria como ir até o Rio, saindo de São Paulo, sem ter que pensar em atravessar a Dutra de carro ou recorrer à ponte aérea. Prático e inteligente. Se São Paulo tivesse metade das linhas de metrô de Paris, juro que deixaria meu carro em casa para percorrer os 16 Km diários que separam meu trabalho da minha casa. Como as linhas são várias, não ficam abarrotadas, não há sobrecarga.
Aí vemos a diferença de como nossos impostos são empregados, dos políticos que escolhemos, da qualidade de vida que levamos, do respeito ao cidadão, além da educação do povo.
Lá pulasse muita catraca, mas ninguém está nem aí. Cada um, cada um. Os ônibus que tomamos em Roma, Milão e Firenze, por exemplo, têm uma máquina para que o passageiro valide o ticket e só. Nada de cobradores ou seguranças. Cada um com sua consciência. E só a turistada deixava de validar os tickets. Os moradores passavam pelas máquinas normalmente, mesmo sem ter a obrigação vigiada.
É tudo lindo? Não! Mas vê-se muito mais cuidado com o que é público do que em São Paulo ou na maioria das cidades do Brasil que conheço. Cuidado não só do governo, que dá à população acesso aos meios de transporte, mas também por parte do povo que conserva e utiliza de forma consciente.
 Trem de Veneza para Milão. Nós e a Coca-Cola amiga.
Escrito por Jéssica Panazzolo às 17h16
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Horário eleitoral gratuito
As eleições se aproximam e a desesperança se faz presente. Tentamos puxar na memória danças da pizza, cuecas recheadas, malas voadoras, obras faraônicas, cartões coorporativos, sogras viajantes, mas muita gente deixa episódios na gaveta na hora de votar.
Ora, melhor aquele que faz algo, já que roubar, todos roubam. Os políticos são o retrato de seu povo. Se eles são corruptos, é porque somos também, mesmo que em esferas diferentes. Aquele vizinho que ocupa duas vagas ao invés de uma na garagem, o bacana que pára o carro na vaga de deficientes, o esperto que não devolve o troco errado, a sabichona que leva o sobrinho no banco para usar a fila preferencial e assim vai. Todas pequenas corrupções morais que mostram como o caráter é flexível.
Ao mesmo tempo, se não somos esse povo ladrão, por que escolhemos quem não nos representa? Por que a imagem e o partido falam mais do que propostas e históricos administrativos na nossa mente? Eu continuo sendo uma inocente criatura, achando que as pessoas tendem a criar consciência com o calejar da experiência democrática. E para ilustrar nossos hábitos eleitorais, veio a calhar a charge abaixo. Albert Mott para vocês.
 Para provar que não somos só nós que erramos ao votar
Escrito por Jéssica Panazzolo às 17h34
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Vai, Carlos, ser gauche na vida
Quando elas tinham 12 anos, o mundo tinha a dimensão dada por paredes. A grande preocupação era que nome de país escolheriam para dar ao time de handball da sala, time esse que, aliás, sempre perdia. A diversão se resumia em comer pizza de sexta-feira no colégio e o grande desafio era poder ficar até a meia noite nos bailinhos da escola.
Eram a rebeldia de boutique, a leviandade dos jovens e a inconseqüência dos imaturos que banhavam aqueles dias. Ora, quem não foi adolescente não poderá entender. Um dia, cansadas do marasmo e da rotina de suas vidinhas classe média, elas resolveram ser rebeldes de verdade. “Vamos fumar?!”, uma delas sugeriu. “Vamos!”.
Mas como comprar aquele veneno lícito? Uma já tinha ido à padaria comprar cigarros para o avô. “Vem comigo, deixa que eu falo com o balconista.” Conseguiram sair do estabelecimento com um maço de Hollywood, achando que cigarro era tudo igual e o que importava era que duas criaturas cheirando a leite não tinham despertado suspeitas.
Eis o problema, onde duas crianças poderiam fumar? “No banheiro da minha casa!”. Claro, grande idéia! Se trancariam em um quadradinho azulejado, sem tecidos para reter o odor, fumariam, se desodorizariam com o vapor do banho e sairiam incólumes.
Assim fizeram. Lá se trancaram enquanto os pais de uma delas estavam trabalhando. Na primeira puxada de fumaça, veio a tosse. Tossiram juntas. Fingiram que sabiam tragar. Seguravam a fumaça na boca e soltavam, fazendo pose. Um cigarro atrás do outro, até dar fim ao maço. Tudo igualmente dividido, 10 para cada uma, em cerca de duas horas de ousadia.
Mas um detalhe lhes escapou. O cheiro do crime era pior do que imaginavam. A dona da casa tomou um bom banho e se livrou da catinga. Aquela que tinha que voltar para casa, teve que se utilizar de outro plano. Como não podia se livrar do uniforme da escola, pediu um perfume emprestado. Já que tinha deixado a jaqueta na sala para fumar no banheiro, vestiu-a sobre a camiseta e banhou-se com a fragrância francesa.
Quando seu pai chegou para buscá-la de carro, abriu bem os vidros, mal o cumprimentou. Ele estranhou aquele fedor importado, mas não passou disso. Achou que tinham brincado com as coisas da mãe da coleguinha. Foram para casa e ela se purificou.
O procedimento se repetiu algumas vezes, com aprimoramentos de técnicas para despistar pais inocentes, até que a brincadeira chegou ao fim quando deixou de ter graça e de ser uma transgressão.
12 anos depois, uma delas ainda fuma, mas decidiu isso quando já era uma adulta e não optou pelo sabor do Hollywood, vocês podem apostar. A outra deixou a brincadeira no passado e só usa perfume francês quando está de banho tomado.
Elas que descobriram tantas coisas juntas, como o primeiro beijo e o primeiro cigarro, hoje, descobrem a maioria das coisas separadas. Mas ainda contam em segredo as descobertas dessa vida pouco rebelde e mais ajuizada.
Uma delas vai ficar um mês fora do país para estudar, mas vai voltar... Elas já ficaram mais tempo distantes, mas isso não é coisa para virar hábito. Elas gostam mesmo é de dividir, mesmo que seja menos do que gostariam.
E nessa roda que a vida é, não importa quem é uma e quem é outra, muitas vezes elas deixam de ser elas mesmas para viver um pouco da vida da outra, já que o sonho de um amigo é o nosso sonho. Boa sorte!

Escrito por Jéssica Panazzolo às 18h09
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Pílula
Gente, calma, ainda estou aqui.
Nesse tempo sem postar, considerem minhas férias, o tempo antes delas que me fez trabalhar como louca e o retorno, que me fez colocar as pendências em dia. Agora, tudo voltará ao normal.
Para me redimir, prometo fotos lindas desses dias passeando e histórias boas, fechado?
Escrito por Jéssica Panazzolo às 11h51
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