Leitura dinâmica
Ana namorava Cláudio há 8 anos. Um amor que havia nascido nos tempos de ouro da adolescência e vingava na vida adulta. Casamento não era um sonho, mas uma realidade próxima. Eram cúmplices nesse plano de sedimentação do amor.
Em uma das visitas de Ana ao apartamento de Cláudio, ela viu uma carta ser colocada debaixo da porta. Ele tomava banho e ela, inocentemente, foi recolher a correspondência e deixá-la sobre a mesa, como fazia quando encontrava algo na soleira.
Mas Ana desconfiou. A carta era remetida por Josiane Almeida. Cartas já são coisas difíceis de recebermos, que dirá de uma pessoa de outro sexo, com outro sobrenome, de uma pessoa que nunca uma namorada de 8 anos ouviu falar. Quem não ficaria sobressaltado?
Num ímpeto de curiosidade, Ana abriu o envelope cuidadosamente que estava em suas mãos e correu os olhos por aquelas linhas proibidas. Como suspeitava desde o princípio, Josiane não era só o nome de um remetente, era um casinho antigo de seu noivo.
Pois ela conteve a ira e o ódio e foi atrás dele.
- Amor, quem é Josiane?
- Por que, gatona? engolindo seco o medo dela ter descoberto algo.
- Vi uma carta que chegou para você e o remetente era ela.
- Ah, é uma amiga de Minas que quer vir estudar em São Paulo e pediu minha ajuda.
- Ahhhhhh tá. Deixei em cima da mesa, disse engolindo a raiva.
Ana não queria arrumar uma briga por alguém que estava a quilômetros de distância e não demonstrava na carta que se aproximaria fisicamente. Quis pagar para ver onde ia dar e ter a chance de monitorar o amado mentiroso.
Mentira por mentira, Ana também contou uma. Não tinha deixado carta nenhuma em cima da mesa. Quando ele procurou, não encontrou. Ela colocou a culpa na empregada e guardou a correspondência amassada pelas mãos raivosas em sua bolsa.
Ele mentindo e ela também, jurando que a carta não havia sido tocada e que não sabia dos pulo do gato compromissado.
Porém, a história martelava a cabeça de Ana. Ficava ali, numa memória chata e inconveniente. Até que a bomba estourou.
Ela ia para a casa da sogra. Quando chegou, aproximou-se do chaveiro na parede (ou seria um porta-chaves) onde todos colocavam todas as chaves, para colocar a do carro. Nesse instante seu coração disparou. Viu o chaveiro do noivo com o nome de outra escrito. Adivinhem o nome de quem?
Josiane, Josiane, Josiane, gritava a cabeça de Ana. Como ele pôde ser tão vil e colocar o nome da outra no chaveiro, pensava ela sem parar, vermelha de ira.
- Você não vale nada! Eu sei de tudo!!!! Olha o nome dessa vagabunda de Josiane no seu chaveiro! Quer saber? Eu li aquela maldita carta e eu sumi com ela! É isso mesmo, não faça essa cara de santo! Você achou que poderia me enganar por quanto tempo? Olha aqui o chaveiro com o nome dela! Eu fui muito burra...
E chorou. Ele, vendo toda aquela cena, pegou o chaveiro que, ela havia arremessado nele, com calma e mostrou.
- Ana, sua mentirosa que não sabe ler, esse chaveiro é da minha irmã e o nome escrito é do meu cunhado JOSÉ LUIS!
O mundo de Ana caiu. Entregou seu delito e ainda não havia pego o noivo mentiroso no flagra da traição. Mas como ele também havia mentido sobre a relação com Josiane, passaram horas se acusando e resolveram deixar como estava. Afinal, se ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão, quem mente para um mentiroso é por motivo amoroso.

Escrito por Jéssica Panazzolo às 11h25
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